O que aprendi no meu primeiro curso de massagem tântrica

Faz muito tempo que participei do meu primeiro curso de massagem tântrica em grupo com o intuito não só de mergulhar em mim mesmo, mas também de aprender mais sobre a sexualidade e ela pode ser fluida.

Essa pegada neotântrica sim, conecta muito o Tantra com o sexo e isso desqualifica e muito o Tantra original mas, seja como for, abriu um campo para trabalharmos a sexualidade de maneira mais limpa, meditativa e sensorial.

O tabu do sexo

Um dos pioneiros aqui no Ocidente a tratar da questão da energia sexual com uma metodologia de pesquisa científica foi Wilhelm Reich, um psicanalista sucessor de Freud. Ele chamava o sexo de “a peste social”.

Mesmo hoje, quase 60 anos após sua morte, nós ainda vivemos em uma sociedade onde o sexo é um tabu, tratado de forma escusa e hipócrita. Pais não sabem como conversar sobre o assunto, a escola não prepara os alunos com nenhum tipo de instrução a não ser “use camisinha senão você morre” e assim temos uma geração de jovens e adolescentes descobrindo sua sexualidade no improviso, perdidos no oceano de informações que é a internet. E, claro, quando se busca esse tipo de assunto, a pornografia tem uma influência muito maior que a enciclopédia.

Isso transforma o sexo em um gerador de neuroses que desconecta o ser humano de sua essência. Criamos assim viciados em pornografia que não sabem lidar com estímulo sexual, com a presença dessa energia. Os orgasmos ficam reduzidíssimos a ínfimos milésimos de segundo e não tem força para desempenhar o seu papel curativo e de equilíbrio hormonal. A pessoa transa, goza, e logo em seguida já se vê presa no mesmo condicionamento, precisando aliviar-se novamente. A masturbação acaba se tornando um ritual diário, frequente, que adormece todos os sentidos do corpo e leva a pessoa a uma experiência pobre, bem longe de ser satisfatória, ainda que vivenciada várias vezes ao dia.

Os sintomas dessa neurose estão presentes em vários momentos; quem não sabe lidar com a própria sexualidade, dificilmente vai saber lidar com a sexualidade do outro. Assim temos os relacionamentos fast-food, nos quais as pessoas simplesmente não conseguem lidar com a queda hormonal que ocorre depois de alguns meses de paixão intensa. Não compreender seu sexo é desconhecer o seu corpo, o que cria dificuldades psicológicas como baixa autoestima, ou outros problemas que se somatizam em disfunções sexuais das mais variadas; disfunção erétil, dispareunia, anorgasmia, etc…

O Tantra nos ensina uma outra maneira de lidar com o sexo, com a energia sexual. Uma maneira séria, respeitosa, aberta, inclusiva, que vê o corpo humano como algo divino. Pretendo aqui nessa página dividir tudo aquilo que pude aprender sobre sexualidade desde que decidi percorrer esse caminho. E me coloco aqui no papel de buscador, não de professor. Quero levantar debates e produzir informações úteis; ajudar aqueles que sofrem com uma sexualidade não trabalhada ou não resolvida a descobrirem o caráter sagrado do sexo e sua energia criadora. 

Porque o Sexo Casual parece tão atraente?

Não pretendo aqui cair numa esfera de falso moralismo, dizendo coisas como “sexo é para procriação” ou “sexo antes do casamento é pecado”. Nada disso. Pretendo sim, buscar entender, porque na sociedade que vivemos a proposta do Sexo Casual, o sexo com pessoas quase aleatórias, com as quais não temos nenhuma intimidade, têm se mostrado tão interessante quando comparado a um relacionamento duradouro.

Talvez seja um círculo de amizades perturbado, mas é fato que tenho visto, cada vez mais, pessoas procurando alternativas de conseguirem se aproximar da proposta de sexo casual, buscando assim dissociar a ideia de sexo com o vínculo do relacionamento. Nada contra. O importante é buscar sempre a felicidade, seja como for.

A pergunta que faço é: porque lidar com a energia sexual dessa maneira? O que existe em uma transa sem intimidade que não existe no sexo com um parceiro fixo, de longa data? 

A primeira palavra que vem à tona é novidade. É o argumento que muito ouço por aí. 

Sexo não gasta com o tempo. O que acaba é a sua criatividade. Parto do pressuposto que uma pessoa, para se tornar um parceiro de longa data, deve ter despertado uma química, uma atração sexual que, com o passar do tempo, foi ficando morna. Mas a culpa disso não está no sexo em si. Quantas pessoas que relatam estar enjoadas do sexo na relação sequer conhecem o corpo do parceiro a fundo? Quantos conseguem realmente se conectar durante o ato sexual de maneira a não ficarem presos nos pensamentos do passado e do futuro, mas sim vivenciar uma experiência plena dos sentidos, baseada no aqui-agora? Quantos transam pensando no trabalho, no celular, na caixa de emails que nunca zera? É a falta de presença faz as pessoas viverem em trabalhos que não gostam, em cidades que não suportam e em relacionamentos vazios. 

Há quem diga que o tesão acaba. Eu amo minha parceira, mas não sinto mais atração.

Claro que acaba. Tudo que você não tomar conta vai acabar mais rápido. Experimente fazer isso com dinheiro e veja quanto tempo ele dura. Todas as coisas que você não cuida duram menos do que aquelas que você cuida; é um fato. O que você tem feito para manter o tesão na sua relação? Uma transa de 10 minutinhos por semana na qual você e sua parceira sequer se olham no olho? A mesma posição e os mesmos estímulos de sempre? Por acaso você já perguntou pra sua parceira como e onde ela gosta de ser acariciada? Já compartilhou os seus desejos com ela? Assim como pessoas brigam e fazem as pazes o tesão da relação pode diminuir ou aumentar, de acordo com a intenção e com a vontade de ambos presentes no relacionamento. 

Não quero diminuir o valor do sexo casual de maneira nenhuma. Como disse no começo; se é a escolha que te faz feliz, siga em frente com alegria. Mas desde que seja uma escolha. Ficar pulando de cama em cama, transando com pessoas as quais sequer chegamos a conhecer pode ser uma boa escolha, mas fazê-lo porque você encontra uma dificuldade em manter uma relação séria, duradoura e, claro, com muito tesão, pode sim ser um problema.

No Tantra aprendemos um caminho de desenvolvimento sensorial, de percepção e intensificação da energia sexual presente no nosso corpo. Esse aprendizado nos ensina ficarmos absolutamente presentes, em um estado meditativo, usando todos os sentidos para, em uma troca com o nosso parceiro, elevarmos a nossa consciência a um estado diferenciado. É preciso entrega, confiança e intimidade para que isso aconteça. E, ironicamente, quanto mais fundo se mergulha nesse poço de amor, mais forte fica a energia sexual. 

Nós aprendemos tudo sobre a sexualidade de maneira muito deturpada no mundo de hoje. Por isso as relações ficam rasas, sem graça e sem tesão. O Tantra anda na contramão desses (des)ensinamentos e mostra um caminho diferente. Um caminho no qual a intimidade e a confiança não acabam com a novidade e sim, dão um tesão danado!


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