A violência como força motriz

Minha inquietação com a minha sexualidade começou cedo. Lembro que na pré adolescência eu não conseguia entender porque eu não tinha a mesma motivação sexual, a mesma libido que meus amigos de classe. Não havia interesse – a energia era dedicada ao lúdico. Sempre me achei mais bobo do que a maioria.

Comecei a ler sobre Tantra em 2004. Era um livro com uma abordagem bem sexualizada do caminho, com a maioria das práticas orientadas dessa forma. Um bom livro para um ocidental iniciante, em termos de práticas para começar o caminho sozinho, mas que não conseguiu naquela época me dar uma ideia do tamanho da coisa!

E o que me motivou a procurar ler sobre esse assunto foi o fato de ter sido vítima de abuso sexual na minha infância por alguns meses. Isso trouxe uma infinidade de consequências para a minha emocional e sexual. Quando me recordei de que isso tinha acontecido na minha vida estava longe de familiares e de amigos de longa data. Não tinha mesmo dinheiro para qualquer tipo de terapia e, por algum motivo que até hoje não sei, esse livro acabou caindo na minha mão e, por mais limitado que seu escopo teórico e técnico seja, suas práticas me trouxeram alívio.

Não que, se eu pudesse, teria escolhido a violência. De forma alguma. Mas hoje eu tenho tranquilidade em dizer que não preciso mudar nada no meu passado. Essa experiência foi integrada e é aceita hoje como qualquer outra – sem vitimismo e com consciência.


Quando a dor vira combustível

Eu passei muito tempo da minha vida sem sentir nenhum prazer no trabalho. Trabalho era sinônimo de fonte de renda, não de alegria. Passei por diversas áreas de conhecimento, por alguns sistemas de trabalho diferente e, ainda assim, não encontrava a tão sonhada satisfação.

Quando mergulhei de cabeça no processo prático do Tantra o encantamento foi tão intenso que, na semana seguinte ao primeiro workshop que participei, me inscrevi para começar um treinamento como terapeuta. Rapidamente já me enxergava nesse lugar e estava decidindo levar esse trabalho onde ele fazia falta.

E hoje, trabalhando com Tantra há mais de 6 anos e ainda um aprendiz, me encontro em paz com o meu ofício. Tenho um motivo maravilhoso para levantar da cama todos os dias! Graças a uma violência…

Gosto sempre de reforçar que uma das piores experiências da minha vida foi o que acabou me conduzindo a uma sabedoria que mudou muito do meu rumo aqui nesse mundo.

o aprendiz
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o primeiro livro de tantra que li na vida…

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