Vendo os outros sob novo ângulo
Johann Wolfgang Goethe é considerado a maior personalidade da literatura alemã,
famoso como poeta, romancista, dramaturgo e ensaísta. Viveu de 1749 a 1832.
Certa vez, escreveu ele, com muita sabedoria: «Trate as pessoas como são, e elas
permanecem assim. Trate-as como se fossem o que podem ser, e ajudá-las-á a
tornarem-se no que são capazes de se tornar.»
Na verdade, muita gente queixa-se dos outros, mas nada faz para que se tornem
melhores; ou então, fazem-no pelo caminho errado, que vai trazer mais
complicações do que resultados benéficos. Não vou falar das pessoas que procuram
rebaixar os outros. Essas, por conta da Lei do Retorno, só vão colher desgostos,
menosprezo e sofrimentos.
Quero-me referir a si, que se aflige com o comportamento de certas pessoas e
gostaria tanto que fossem melhores e mais felizes. Se no entanto as tratar como
são, não está a contribuir em nada para que possam tornar-se um pouco melhores.
Tratando as pessoas como são, não ofereceu nenhum subsídio para que cresçam na
vida, para que iluminem as suas qualidades e encontrem o melhor caminho para a
sua realização pessoal.
Se você ensina as pessoas a tornarem-se melhores, já está a contribuir de forma
poderosa para que se tornem melhores.
Goethe acertou no ponto. Mostrou ser realmente grande pensador e homem sábio.
«Trate-as como se fossem o que podem ser», escreveu ele, «e ajudá-las-á a
tornarem-se no que são capazes de se tornar.»
Se você trata um homem nervoso, impulsivo, ofensivo, impaciente, como se fosse
calmo, controlado, positivo e paciente, você está a ajudá-lo a tomar-se assim.
Com esta forma de proceder, você evita ser mal compreendido e insultado.
Simplesmente você está a tratá-lo como ele deseja ser tratado, o que o torna
altamente receptivo.
Quem não gosta de ser valorizado?
Vendo no outro as qualidades de que ele precisa ou que deseja ter, está a
contribuir para que ele assim seja, pois esta imagem atuará de forma poderosa na
mente consciente e subconsciente dele.
Richard Bach, no seu livro «Ponte Para o Sempre», dizia: «Para trazer qualquer
coisa à sua vida, imagine que já lá está.»
Para trazer qualquer coisa à vida de uma pessoa, imagine que já lá está. Se,
imaginando que já lá está, você ajuda a tornar realidade o conteúdo da
imaginação, nada mais correto do que vivenciar esta realidade.
Vamos supor que o seu filho tem muita dificuldade nos estudos. Se você passa o
tempo a dizer-lhe que precisa de estudar muito porque não tem inteligência e é
duro de cabeça, está a reforçar e a solidificar o problema.
Toda a mensagem que o subconsciente aceita como verdade, executa-a. Portanto, a
sabedoria está em transmitir ao filho afirmações que signifiquem o que você quer
que ele seja. Diga, por exemplo: «Você é muito inteligente. Já mostrou muitas
vezes que é inteligente. Então, estude com calma e tenha confiança em si, porque
será sempre bem sucedido.»
E a partir de agora trate o seu filho como um rapaz inteligente. Nunca torne a
falar das dificuldades de aprendizagem.
Ao considerar o seu filho inteligente, estará a gravar essa verdade no
subconsciente dele.
Faça assim com o seu marido, com a sua mulher, com todas as pessoas, e estará
dar a mais inteligente contribuição para que se tornem no que são capazes de se
tornar. Todos os defeitos de uma pessoa não são nada mais do que a sombra da
qualidade nela existente. Ilumine a qualidade e a sombra desaparecerá.
Trecho do livro "Pode quem Pensa que Pode", de Lauro Trevisan