O Segredo Supremo

Grandes sábios como Hermes, Platão, Aristóteles, Paracelso, buscaram, com afinco, a descoberta de um remédio secreto que fosse capaz de curar os males físicos, mentais e espirituais do ser humano. Disto, resultaram compêndios de uma filosofia, altamente reveladora, que nos mostra a capacidade de discernimento da mente humana motivada por bons propósitos.
Conta-se que, quando muitos dos filósofos buscaram pela panacéia universal que curava todos os males e que lhes dessem a vida eterna, depararam-se com a descoberta da inevitabilidade da morte do nosso corpo físico. No entanto, como tudo o que o homem busca acaba, de certa forma, encontrando, esses sábios denominados Alquimistas, acabaram chegando à conclusão de que seria possível alcançar seus propósitos de um outro modo, ou seja, através da correta utilização de um poder ilimitado, ao alcance de todos aqueles se dispusessem a estudar, com afinco, para conhecer e aprender a utilizá-lo em suas vidas. Essa "Substância" foi intitulada, pelos antigos alquimistas, como a quinta essência por estar, diretamente, relacionada com a natureza dos quatro elementos: ar, água, terra e fogo. Também chamada de Quinta Substância ou o Quinto Elemento, isto era considerado como sendo o primeiro em grandeza, já que se supunha tratar-se de uma força superior, indestrutível e poderosa, geradora das outras quatro forças elementares. Essa força geratriz originária de todos os corpos físicos e sutis, segundo a Alquimia, poderia ser isolada por princípios e métodos adequados e utilizados para as finalidades propostas pelo artista hábil e sábio.

Segundo as teorias alquímicas, essa essência cósmica poderia prolongar a vida, trazer saúde e felicidade, atrair riqueza e proporcionar alegrias indizíveis. No entanto, tal produto misterioso, após ser conquistado pelo Alquimista, era secretamente guardado dos olhos vulgares daqueles que não conheciam os mistérios e princípios da Arte. Tudo ou o pouco que fora revelado resumia-se a um emaranhado de símbolos e figuras estranhas ou eram, então, apresentados sob a forma de textos codificados por uma linguagem figurada.

Ao analisar os remanescentes da arte alquímica, através da metodologia prática e racional de pesquisa, perceberemos que nada poderemos absorver de útil para uma conclusão lógica e plausível, já que os segredos alquímicos foram hermeticamente fechados aos olhos mundanos, propositadamente. Sendo assim, a maioria dos pesquisadores racionais que resolvem estudar a Arte Real, simplesmente abandonam o trabalho logo na fase inicial, por acharem "ridícula" a metodologia de trabalho apresentada pelos Mestres Alquimistas. Uma outra parcela daqueles que se propôs a decifrar os enigmas da Alquimia, caiu na armadilha montada pelos mestres, para aqueles que buscam apenas o ouro dos tolos, ou seja, para aqueles que aspiram ao metal tangível e não sabem que o maior tesouro do artista é a Pedra Filosofal. Esses últimos são os chamados sopradores da Alquimia. Aqueles que passaram ou ainda passam anos a fio na frente do forno alquímico misturando substâncias, cozinhando, filtrando, porém, sem conseguir evoluir juntamente com o produto de suas operações.

Por outro lado, existiram e ainda existem muitos artistas famosos ou anônimos, que entenderam a verdadeira proposta da Alquimia. Trabalharam, arduamente, os elementos através dos processos descritos pelos mestres e em certa fase da operação, lhes foi revelado pela da Providência Divina, o segredo da pedra oculta a ser lapidada em um outro laboratório. A partir daí, iniciou-se uma segunda fase: a operação sutil. Os processos alquímicos passaram, da prática grotesca e material, para uma forma internalizada de ação, onde o laboratório, o “athanor”, os princípios elementares e o alquimista converteram-se em uma só coisa. Nessa fase, o Alquimista toma consciência de que ele é a única pedra bruta a ser lapidada para que o seu trabalho seja finalizado com êxito.

Eureka! Grita o Alquimista: o Segredo Supremo me foi revelado pelo meu próprio ser. Eu sou a Pedra Filosofal ou o segredo supremo escondido por todos os grandes mestres da alquimia e que, apesar de revelados em todos os cantos da terra, sempre foi e sempre vai continuar secreto para todo aquele que ainda está no estágio inicial da busca. Ele ouve, lê e acha que entendeu, mas não sabe como usufruir os benefícios do Segredo Supremo. Não adianta dizer que o ovo filosófico ou a pedra filosofal é o próprio homem para um determinado homem, porque enquanto a mesma não for lapidada pelo esforço pessoal desse homem e por ninguém mais, ela ainda permanecerá envolvida por impurezas de toda espécie e não pode ser vista, sentida e usufruída em toda a sua grandeza.

Esse é o segredo supremo revelado, aos quatro ventos, por todos os grandes mestres espirituais. É visível como o sol e secreto como o Ser. Olhe para o sol e ficará cego se não estiver munido de um aparato apropriado. Da mesma forma, o segredo oculto cega àqueles que não estão aptos a reconhecê-lo. E, tal aptidão só pode ser atingida através da elevação do ser à verdadeira categoria de aprendiz. Somente através da supressão dos vícios e da elevação das virtudes será possível atingir tal sabedoria.

O que queremos explicitar aqui é que o laboratório alquímico verdadeiro, com tudo o que ele possui nada mais é do que uma representação do próprio ser humano, onde com metodologia apropriada são depuradas todas as experiências e vicissitudes da vida, culminando na elaboração daquilo que os alquimistas chamam, com razão, de, A Grande Obra. Esse termo justifica-se pelo fato de que o homem tem o poder e o dever de auxiliar, a nível pessoal (microscosmo), a concretização da Grande Obra universal da criação e evolução proposta pelo Criador (Macrocosmo).

Em meados de 2006, dentre as diversas correspondências que recebi dos internautas, uma me chamou atenção, pelo fato do tom rebelde a até agressivo da mensagem. Nela, um rapaz dizia-se revoltado pelo fato de que apesar de querer aprender alquimia, nunca havia encontrado um texto que revelasse de fato, os segredos da Arte. Para finalizar, ele despejou uma série de palavrões dizendo até que os textos e livros que eu escrevi não continham nada de concreto, apenas palavras evasivas que não faziam sentido. E que eu era um mentiroso, como os demais. Ora, qualquer um que tenha um pouco mais de conhecimento acerca de temas relacionados ao autoconhecimento e que, por conseguinte, conseguiu, através de muito trabalho e pesquisa, progredir na senda do caminho dourado, sabe que nos textos que escrevo, procuro ser o mais claro e objetivo possível. Mas, também, sabe que tais verdades não podem ser assimiladas por aqueles que ainda estão em outro estágio do desenvolvimento e não podem compreender tudo o que a sabedoria divina oculta, através de seus próprios mecanismos de defesa. Da mesma forma, tenho a humildade de dizer que muitos que estão adiante de mim na senda da evolução, ao lerem estes textos, saberão que muito ainda preciso aprender e que minhas palavras são ainda infantis diante da sabedoria de Deus.

É preciso aprender sempre para evoluir. Esta é uma imposição divina para todo o ser que se encontra debaixo do sol. No entanto, longe de ser uma maldição é uma tremenda benção. Propor-se a ser um eterno aprendiz na senda do autoconhecimento, pode proporcionar uma alegria que o homem comum desconhece, uma felicidade, infinitamente, superior àquela que o mundo pode nos dar e uma riqueza que nem todo o dinheiro do mundo seria suficiente para comprar. Tudo o que de melhor possamos almejar está escondido nos caminhos do eterno aprendiz humilde e sincero. Para tanto, proponho a vocês um desafio: vão à busca; sejam Alquimistas; descubram a Pedra Filosofal, provem o Elixir da Longa Vida; e, acima de tudo aprendam que é possível, de verdade, transformar chumbo em ouro.

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Este texto foi escrito por Francisco Ferreira (Mr. Smith).

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Se você se julgar audacioso o suficiente para iniciar pelos caminhos espinhosos do autoconhecimento em busca da essência do Segredo Supremo, leia com atenção e medite profundamente nas palavras abaixo, captadas de um discurso de Fulcanelli, personagem enigmático que viveu na Europa, nos anos do pós-guerra.

"A natureza não abre a todos indistintamente a porta do santuário. Nestas páginas, o profano descobrirá talvez alguma prova de uma ciência verdadeira e positiva. No entanto, não poderíamos persuadir-nos de convertê-lo porque não ignoramos como os preconceitos são tenazes, como é grande a força das idéias preconcebidas. O discípulo tirará mais proveito dele, com a condição, todavia, de não desprezar as obras dos velhos Filósofos, de estudar atentamente os textos clássicos, até que tenha adquirido suficiente clarividência para discernir os pontos obscuros do manual operatório.

Ninguém pode pretender possuir o grande Segredo se não fizer concordar a sua existência com o diapasão das pesquisas empreendidas.

Não basta ser estudioso, ativo e perseverante, se falta o princípio sólido, de base concreta, se o entusiasmo imoderado cega a razão, se o orgulho tiraniza a capacidade de julgar, se a avidez se desenvolve sob o brilho de um astro de ouro.

A ciência misteriosa exige muita justeza, exatidão, perspicácia na observação dos fatos, espírito são, lógico e ponderado, uma imaginação viva sem exaltação, um coração ardente e puro. Exige, além disso, a maior simplicidade e absoluta indiferença em relação às teorias, sistemas, hipóteses que, fazendo-se fé nos livros ou na reputação dos autores, se admitem geralmente sem controle. Deseja que os aspirantes aprendam a pensar mais com o seu cérebro e menos com o dos outros. Pede-lhes, enfim, que procurem a verdade dos seus princípios, o conhecimento da sua doutrina e a prática dos seus trabalhos na Natureza, nossa mãe comum.

Pelo exercício constante das faculdades de observação e de raciocínio, pela meditação, o neófito subirá os degraus que conduzem ao SABER.

A imitação simples dos processos naturais, a habilidade junta ao engenho, as luzes de uma longa experiência assegurar-lhe-ão o PODER.

Realizador, terá ainda necessidade de paciência, constância, vontade inquebrantável. Audaz e resoluto, a certeza e a confiança nascidas de uma fé robusta permitir-lhe-ão tudo

OUSAR.

Finalmente, quando o sucesso tiver consagrado tantos anos laboriosos, quando os seus desejos se tiverem realizado, o Sábio, desprezando as vaidades do mundo, aproximar-se-á dos humildes, dos deserdados, de todos os que trabalham, sofrem lutam, desesperam e choram neste mundo. Discípulo anônimo e mudo da Natureza eterna, apóstolo da eterna Caridade, permanecerá fiel ao seu voto de silêncio.

Na Ciência, no Bem, o Adepto deve para sempre CALAR-SE.”

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