Pense saúde
Hoje, mais do que nunca, tornou-se verdadeira a predição do Dr. John Schindler
quando afirmou, no seu livro «Como Viver 365 Dias Por Ano»: «As coisas mais
absurdas que se imaginaram ou se poderiam imaginar antes de 1936, sobre o
mecanismo da doença induzida pelas emoções, são insignificâncias comparadas com
as que têm sido descobertas. E a acumulação de novos conhecimentos apenas
começou.»
Vou contar-lhe algo que é uma verdadeira revolução no campo da medicina
convencional. Trata-se de um dos maiores avanços na compreensão das causas, dos
efeitos e da cura das doenças. Estudos e pesquisas científicas, realizadas por
centros médicos, institutos, clínicas e universidades, descobriram que há uma
inter-relação perfeita entre a mente, o cérebro e o sistema imunológico.
O sistema imunológico é composto pelos glóbulos brancos, entre os quais se
destacam especialmente os linfócitos T. São os encarregados de procederem à
autodefesa do organismo contra qualquer invasão ou agressão doentia e nefasta.
Se o exército branco, encarregado de fortalecer e defender o vasto território do
corpo humano, estiver bem preparado, em ordem, numeroso, forte, as doenças não
se instalam. E se porventura se instalarem, serão vencidas e expulsas pelos
glóbulos brancos, sob o comando da elite, chamada linfócitos T.
Se a doença ou a invasão de certos vírus, bacilos, bactérias ou micróbios
nocivos encontrar esse exército dizimado e fraco, conseguirá ganhar terreno e
apossar-se de alguma parte do organismo, instalando-se aí de forma autônoma,
prejudicial e permanentemente agressiva contra o resto do corpo. O que é que
fortalece ou enfraquece os linfócitos T e, conseqüentemente, o sistema
imunológico?
«Mais recentemente», relata a revista Seleções, «uma notável série de
experiências laboratoriais localizou com precisão o íntimo relacionamento entre
o cérebro e o sistema imunológico.»
Pesquisas realizadas pelo Professor Novera Spector, dos Institutos Nacionais de
Saúde, dos Estados Unidos, bem como por estudiosos da Faculdade de Medicina da
Universidade de Alabama, em Tuscaloosa, comprovaram a teoria.
Já os professores Allan L. Goldstein e Nicholas R. Hall, da Faculdade de
Medicina da Universidade George Washington, descobriram que «o cérebro e o
sistema imunológico comunicam entre si através de uma família de hormônios,
chamadas timosinas, e de outros elementos existentes no sangue». Esta mesma
revista concluiu que «muitos cientistas estão atualmente a investigar os efeitos
de emoções específicas no sistema imunológico.
A psicóloga Margaret Kemeny, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles,
constatou que «casos de recorrências de herpes genital estavam relacionados com
sensação de depressões».
Outra equipa de cientistas verificou que o stress mental provoca danos no
sistema imunológico.
Realizando uma experiência, a psicóloga clínica Janice Kiecolt-Glaser e o
virólogo Ronald Glaser retiraram sangue de 40 estudantes de Medicina, em
diferentes épocas do ano escolar e, por fim, durante os exames. Descobriram que
o stress arrasava o seu sistema imunológico.
O Dr. Isaac Djerassi, Diretor dos Serviços de Oncologia do Centro Médico Mercy
Catholic, em Filadélfia, afirma que «atualmente dispomos de provas irrefutáveis
de que uma atitude mental adequada pode ajudar o sistema imunológico a funcionar
com muito mais eficácia». Além disso, os pesquisadores de psiconeuroimunologia
contam com provas evidentes de que as emoções, as atitudes mentais e a força de
vontade afetam extraordinariamente o sistema imunológico.
Robert Adler e Nicholas Cohen, da Escola de Medicina da Universidade de
Rochester, nos Estados Unidos, depois de experiências realizadas sob a
inspiração do fisiologista russo Ivan Pavlov, concluíram que existe uma ligação
entre o cérebro e as células sanguíneas especializadas que formam o sistema
imunológico. (Visão, 29/6/88).
Outros cientistas descobriram que o sistema imunológico não só sofre
interferência do cérebro como também comunica diretamente com ele.
A doença é uma derrota temporária. Ponha em ação a sua poderosa voz positiva e
confiante de comando e o seu exército de defesa destroçará os inimigos.
A mente age diretamente sobre o cérebro através de pensamentos, sentimentos e
emoções. O cérebro, então, reage de imediato, libertando certos tipos de
hormônios benéficas ou maléficas que, por sua vez, fortalecem ou enfraquecem os
linfócitos T. Assim sendo, a mente fortalece ou enfraquece o sistema
imunológico, que é composto pelos glóbulos brancos e especialmente pelos
linfócitos T.
Os estados mentais positivos levam o cérebro a liberar uma hormônio chamada
endorfina.
Endorfina é uma palavra composta do prefixo endo, que significa interno, e do
vocábulo morfina, que é um anestésico, analgésico, sedativo.
A morfina, que você conhece, usada para aliviar ou eliminar a dor, é uma espécie
de ópio aplicado diretamente no sangue do paciente. É interessante saber que a
morfina aplicada em injeção intramuscular, ou via oral, não produz efeito.
Ocorre que se descobriu que o cérebro tem receptores para a morfina, até porque
ele mesmo produz e liberta a morfina interna, sob certos estímulos. Como o
sangue atinge essas regiões cerebrais, só causa efeito a morfina externa
aplicada no sangue.
- Qual é a ação da endorfina?
Esta hormônio, produzida pelo cérebro, alivia ou elimina totalmente a dor, tanto
física quanto emocional. Além disso, pode produzir sensação de bem-estar, de
euforia, de prazer, de êxtase até.
Mais ainda: as endorfinas atuam sobre o sistema imunológico, fortalecendo os
linfócitos T.
- O que é que leva o cérebro a liberar as endorfinas?
São os estados mentais positivos. Por exemplo, pensamentos e sentimentos de
alegria, de paz, de amor, de felicidade, de autoconfiança, de fé, de bom humor,
de relaxamento, de euforia, de idealismo, de coragem, de alegre expectativa, de
sucesso, de vitória, de força de vontade, de impulso, de generosidade, de boa
vontade, de ternura, de iluminação interior, de sonhos e desejos grandiosos em
que se acredita.
Trecho do livro "Pode quem Pensa que Pode", de Lauro Trevisan