O Cristo Universal
O Cristo Universal não é
representado apenas pela figura histórica que chamamos de Jesus, já que muitos
de nós o compreendem como a suprema expressão da totalidade — do Deus manifesto.
O Cristo Universal não está confinado a nenhuma religião. Ao contrário, deve ser
compreendido como o potencial máximo que existe em todos os seres. Mas ele só
desabrocha naquele que possui completa autocompreensão.
Os Grandes Mestres, aqueles seres que compreendem a si mesmos e que vivem como
manifestações do Cristo Universal, apareceram em muitas tradições diferentes em
toda a História. Eles demonstraram, na totalidade de seu ser e de seus
ensinamentos o caminho para unir o humano ao divino. Este potencial está
presente em todo ser. O Cristo Universal é o instrumento através do qual
retomamos a conexão com a Fonte primeira. É a graça salvadora que nos liberta da
ignorância e da escravidão na roda do renascimento. É a Luz do mundo, que
transforma chumbo em ouro através da alquimia do amor puro.
O mistério do Cristo Universal certamente vai além da compreensão humana. Mas,
como essa energia cósmica desce até as questões humanas, o exemplo do Cristo é
derramado dentro dos recipientes místicos de todas as culturas. Formando a base
dos costumes e a história de vários povos, utilizando os materiais culturais
disponíveis, a História Única da jornada da alma em direção à união com a Fonte
original foi contada através das eras.
Todas as vezes e em todos os lugares em que a escuridão parece cegar as pessoas,
sempre que o propósito da existência humana se perde no seu próprio atoleiro, um
grande ser iluminado chega mais uma vez para trazer a verdade. Algumas lendas
dizem que esses seres vêm do céu como um ato de graça. Outras entendem sua
irradiação como o desabrochar do que há de melhor na nossa espécie. Mas, seja
qual for o modo como chegam, eles vêm quando são necessários e nos instruem de
acordo com o nosso nível de entendimento na época, deixando-nos um legado de
ensinamentos que continua a impulsionar a nossa evolução. Tecida nos fatos reais
da vida humana de um grande mestre, há uma história que transcende a vida de
toda pessoa, pois ela faz parte do modelo do Cristo Universal.
A universalidade dessa História Singular pode ser um desafio a enfrentar quando
se foi educado para acreditar que as verdades da própria religião excluem todas
as outras. Mas este é um dos dons de nossa época: o acesso à instrução formal e
às comunicações globais que nos permitem pesquisar e compartilhar das muitas
variações da história em todo o globo terrestre. Seria uma grande perda
desprezar uma história porque descobrimos que ela tem contrapartes em diferentes
culturas. A força e a verdade dessas muitas histórias do Cristo Universal
residem em sua universalidade, não em sua exclusividade. Continuamos
contando-as, geração após geração, de cultura para cultura, porque algo em nós
ressoa profundamente com as suas verdades acerca de nossa natureza e do modo
como podemos reconciliar o humano com o Divino. Por meio delas, encontramos
orientação ao confrontar nossas sombras e ao enfrentar as provas e tentações, os
perigos e os sacrifícios, ao viver a consciência do Cristo. Não retornamos à
totalidade através desta ou daquela religião; retornamos através do Cristo
Universal. Os Mistérios ensinavam aos iniciados que nós, primeiramente, entramos
no caminho, depois seguimos o caminho e, por fim, nos tornamos o caminho. No
Apocalipse está escrito: "Para aquele que supera [domina], construirei um pilar
[uma força cósmica] no templo de Deus, e ele não sairá [não encarnará] nunca
mais."
Enquanto vivermos representando a história de Adão e Eva, continuaremos a morrer
muitas e muitas vezes. Mas quando vivemos o Cristo dentro de nós, o Buda dentro
de nós, quando recebemos a infusão do Espírito Santo, então, como dizia Krishna,
somos salvos da "eterna roda da morte e do renascimento". E, como disse Jesus,
ganhamos "a vida eterna". Esse é o caminho da iniciação.
Texto extraído de: As sete Etapas de uma Transformação Consciente, de Gloria Karpinski.
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